MANHATTAN, [11/ 9]/
2002
Galeria Quadrum, Lisboa
Quadrum Galeria de Arte, Lisboa, [www.galeriaquadrum.com],
Programa 2001-2002: "Manhattan. Arte contra o Terrorismo"
LUIS HERBERTO, Manhattan (Pintura) 04.05.02 - 15.06.02
O
11 de Setembro visto pela Internet é o ponto de partida
para esta exposicão de Luís Herberto. As imagens da
derrocada das 'Twin Towers', os grupos de gente espavorida,
os casais aflitos no meio da poeira que invade o Sul da
ilha, alguém precipitando-se de uma das torres, as ruas
negras e silenciosas sob um esplendoroso céu azul...
descem, mais ou menos lentamente, dos servidores. Já no
disco do PC, Luís Herberto processa as imagens: elimina
personagens, mexe nos contrastes e na luz dos JPEGs, reduz
ou amplifica a gama cromática, introduz talvez um filtro de
efeitos, em suma, constrói as composicões e as narrativas
para as futuras pinturas. À medida que os óleos vão
ganhando forma, numa relação de vai-e-vem entre a imagem
digital manipulada e a tela, o autor volta uma e outra vez
ao desenho sobre folhas de papel, para captar matizes de um
tema cuja representação deverá resultar do encontro
subjectivo e técnico, entre a informação, a imaginação e a
História da Pintura. Algumas das telas, sobretudo a série
de óleos com 80x80 cm, que nos mostram cantos poeirentos da
cidade atacada, vistas noutro contexto, dir-se-iam obras
abstractas (como se a pintura realista de uma 'abstracção'
devesse tornar-se abstracta). As telas maiores, de 150x150
cm ou maiores, devolvem-nos uma visao mais aproximada dos
acontecimentos, coexistindo nelas um equilíbrio, mesmo
assim dramático, entre o espaço sulcado de gestos, de
pintura espessa e gestual, e a frieza original da
fotografia digitalizada. Não se aplicam nestas obras, nem
estratégias de colagem, nem estratégias de desfiguração. O
que há é a des-construção apressada de silhuetas em fuga
sob uma Nova Iorque tragicamente expressionista e
abstracta!
António Cerveira Pinto
